Uma pesquisa recente do Instituto PROA, feita com 403 jovens e 187 empresas de todas as regiões do país, chegou a um número que deveria preocupar qualquer área de RH: 56% dos jovens entrevistados já deixaram o primeiro emprego. Não por falta de compromisso, mas por dificuldades reais de adaptação, crescimento e permanência dentro da empresa que os contratou.
Se a sua empresa contrata jovens aprendizes e sente que está sempre recomeçando o processo de integração, esse dado ajuda a explicar o porquê. E o problema não termina na vaga aberta de novo. Ele custa tempo, custa dinheiro, e em alguns casos expõe a empresa a uma obrigação legal que só aparece quando já é tarde para se preparar.
O que a rotatividade de jovens realmente custa pra empresa
O custo mais visível é o operacional: nova triagem, nova seleção, nova documentação, novo período de adaptação em que o jovem ainda não produz no ritmo esperado. Só que esse é o custo mais barato.
O custo mais caro é o que fica invisível na planilha: o tempo do supervisor que já tinha investido em explicar processos, corrigir os primeiros erros e criar uma rotina de trabalho, e que agora precisa recomeçar do zero com outra pessoa. Cada saída antecipada reinicia esse investimento, e times que vivem esse ciclo repetidamente tendem a se blindar, engajando cada vez menos com o próximo aprendiz porque “não vale a pena investir, ele também vai sair”.
É esse segundo custo, o de motivação e consistência do time, que normalmente pesa mais do que qualquer linha de orçamento.
Por que os jovens saem tão cedo
A pesquisa do Instituto PROA aponta três frentes que concentram a insatisfação: adaptação, crescimento e permanência. Na prática, isso raramente significa que o jovem não queria o emprego. Significa que ele não enxergou, nos primeiros meses, um caminho claro.
Um aprendiz que entra numa empresa sem um plano de integração estruturado passa as primeiras semanas tentando entender sozinho o que se espera dele. Sem feedback frequente, ele não sabe se está indo bem ou mal. Sem uma trilha visível de aprendizado, não sabe onde essa experiência pode levá-lo depois do contrato. A combinação de incerteza mais ausência de acompanhamento é, historicamente, o gatilho mais comum de desligamento antecipado, seja por pedido do próprio jovem, seja por decisão da empresa.
Vale registrar que os direitos básicos do aprendiz (jornada reduzida, curso teórico, férias coincidentes com as escolares) já são regras conhecidas na maioria das empresas. O ponto de atrito normalmente não está no cumprimento da lei, e sim na experiência do dia a dia dentro dela.
O risco que costuma passar despercebido
Existe uma obrigação legal pouco lembrada até o momento em que um contrato de aprendizagem termina: o Decreto nº 9.579/2018, art. 71, determina que, nas hipóteses de extinção ou rescisão do contrato de aprendizagem, a empresa deve contratar um novo aprendiz para ocupar a cota, sob pena de infração ao artigo 429 da CLT.
Ou seja, a rotatividade de jovens aprendizes não é só um problema de gestão de pessoas. Cada saída antecipada obriga a empresa a repetir todo o processo de contratação sob risco de autuação, e fazer isso de forma reativa, sob pressão de prazo, é justamente quando erros de processo e de adequação de vaga se tornam mais prováveis. Reduzir a rotatividade não é apenas manter o time estável. É evitar entrar nesse ciclo de contratação emergencial repetida.
Como reduzir a perda de jovens aprendizes nos primeiros meses
Nenhuma dessas medidas depende de grandes investimentos, mas depende de intenção e consistência:
- Onboarding com metas claras nos primeiros 30, 60 e 90 dias. O jovem precisa saber, desde a primeira semana, o que se espera dele em cada etapa, não só as tarefas do dia a dia.
- Um responsável direto, preparado para orientar. Designar um supervisor no papel não é o mesmo que prepará-lo para dar feedback e acompanhar de perto. Essa diferença aparece rápido na experiência do aprendiz.
- Feedback frequente, não só a avaliação formal. Conversas curtas e regulares evitam que pequenas dúvidas ou desalinhamentos se acumulem até virar motivo de saída.
- Conexão com o propósito do trabalho desde o início. Jovens que entendem onde a própria função se encaixa na operação da empresa tendem a se engajar mais rápido do que os que só recebem uma lista de tarefas.

O papel do acompanhamento pedagógico nisso tudo
A lei exige que todo aprendiz tenha acompanhamento pedagógico de uma entidade qualificadora ao longo do contrato, mas esse acompanhamento pode ser tratado como uma formalidade documental ou como parte ativa da retenção. Quando a instituição responsável acompanha de perto o desenvolvimento do jovem, identifica sinais de desmotivação cedo e dá suporte tanto ao aprendiz quanto à empresa contratante, o processo de adaptação citado na pesquisa do Instituto PROA deixa de ser um ponto cego.
É esse o papel que o ISBET assume junto às empresas parceiras: não apenas cumprir a exigência legal do curso teórico, mas acompanhar de perto para que a experiência do jovem aprendiz nos primeiros meses seja motivo de permanência, não de desistência.
Perguntas frequentes sobre retenção de jovens aprendizes
Por que os jovens aprendizes saem antes do fim do contrato?
Principalmente por dificuldades de adaptação e por não enxergarem um caminho claro de crescimento dentro da empresa nos primeiros meses, segundo a pesquisa do Instituto PROA (2026). Falta de feedback estruturado e de um onboarding claro costuma agravar esse cenário.
A empresa é obrigada a contratar outro aprendiz se o atual sair?
Sim. O Decreto nº 9.579/2018, art. 71, determina que, ao fim ou rescisão do contrato de aprendizagem, a empresa deve contratar um novo aprendiz para manter a cota, sob pena de infração ao art. 429 da CLT.
Quanto custa, na prática, perder um jovem aprendiz nos primeiros meses?
O custo direto envolve nova seleção, documentação e um novo período de adaptação em que o jovem ainda não produz no ritmo esperado. O custo indireto, muitas vezes maior, é o tempo do time investido em treinar alguém que sai cedo, o que reduz o engajamento com o próximo aprendiz. Para entender também o lado fiscal da contratação, veja os incentivos fiscais ao contratar aprendizes.
Como montar um onboarding eficaz para jovens aprendizes?
O essencial é ter metas claras para os primeiros 30, 60 e 90 dias, um responsável direto preparado para orientar (não só designado no papel) e feedback frequente, não apenas na avaliação formal.
O acompanhamento pedagógico da instituição de ensino ajuda a reter o aprendiz?
Sim. Quando esse acompanhamento é ativo, não apenas documental, ele identifica sinais de desmotivação cedo e apoia tanto o jovem quanto a empresa, reduzindo justamente os motivos de saída antecipada apontados pela pesquisa do Instituto PROA. Veja também quais são os direitos do jovem aprendiz para entender o que já está garantido por lei nessa relação.
Como o ISBET pode ajudar minha empresa a reduzir esse turnover?
O ISBET acompanha o jovem aprendiz durante todo o contrato, com curso teórico e acompanhamento pedagógico ativo, apoiando tanto o desenvolvimento do jovem quanto a adequação da vaga dentro da empresa. Saiba mais sobre o Programa Jovem Aprendiz da ISBET e fale com nosso time para reduzir a rotatividade dos aprendizes na sua empresa.
Fontes consultadas: Decreto nº 9.579/2018, art. 71; Instituto PROA (2026), pesquisa sobre rotatividade de jovens no primeiro emprego, 403 jovens e 187 empresas entrevistados (dados republicados pela ABES).